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riscos_e_rabiscos

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Velha Infância

 

Reencontrei hoje uma pessoa que não via há imenso tempo. Fez-me voltar à minha infância e a momentos felizes.

 

Quando era miúda, uma das minhas amigas de infância vivia na porta em frente à minha, no outro lado da rua. Costumávamos passar dias inteiros na casa uma da outra. Mas eu acabava por passar muito mais tempo na casa dela, uma vez que elas eram três irmãs e eu, naquela altura, era filha única. A irmã do meio tinha apenas mais dois anos que a minha amiga, pelo que brincávamos todas juntas.

 

A irmã mais velha, tinha mais sete anos do que eu. Quando somos pequenos, esta diferença de idades parece abismal. Afinal os interesses e as ideias são diferentes, vamo-nos modificando conforme crescemos.

 

Era giro assistirmos aos namoros e às conversas desta irmã mais velha com os seus amigos. Ela sempre foi muito bonita, com uns belos olhos azuis. Escusado será dizer que namorados não lhe faltavam. Lembro-me de três que foram marcantes.

Nós três – as pirralhas – éramos as voyers de serviço, sempre que ela estava no namoro. Mas em segredo.

 

Fomos crescendo, a diferença de idades foi-se atenuando mais e as empatias crescendo. Um dia ela conheceu o M. e casou-se. Ele tornou-se num conhecido comentador desportivo, ela conseguiu um emprego bom e a família cresceu.

 

O estatuto social modificou-se devido à posição do marido. Mudou de casa para uma zona mais “in”. As irmãs também fizeram a sua vida, e foram morar para locais mas afastados daqui. Mas vemo-nos bastantes vezes pois são visita assídua aos pais. A irmã mais velha não tanto. Tornou-se mais distante e menos envolvida nas confusões familiares.

 

Hoje encontrei-a. Não a via há anos! Está bonita na mesma. Igual a sempre. Com algumas marcas do tempo mas óptima. Notei que ela gostou mesmo de me ver. Conversámos um pouco, enquanto ela esperava pelos pais que tinha vindo buscar, e trocámos piropos: que não parecíamos ter a idade real – oiço sempre esta conversa em relação a mim - , que estávamos na mesma e óptimas. Falámos brevemente sobre as nossas vidas e mandámos beijos para a família. Foi pena não termos mais tempo pois teríamos posto anos de conversa em dia. Gostei mesmo de a ver e de voltar a uma época feliz da minha infância.

 

 

Fervor Sexual (Parte III)

 

 

 

                

Ao ver-se sozinha com F. na sala, C. levantou-se imediatamente do sofá. Ela circulava pela sala, fingindo que observava os objectos que a enfeitavam, tentando disfarçar o constrangimento.

F. continuava sentado no sofá a observar todos os movimentos de C., como se fosse um predador a apreciar a sua presa. Para quebrar aquele ambiente, C. resolveu iniciar uma conversa banal, sobre generalidades.

Enquanto C. estava a contar os minutos para que P. voltasse para a sala, F. desejava que aquele momento se prolongasse o mais possível no tempo.

 

Momentos depois, o par de namorados regressa à sala. Instala-se, de novo, um ambiente alegre e de conversa.

A hora já era tardia e o cansaço começava a revelar-se em cada um deles. Como é habitual nas mulheres, as duas amigas foram à casa de banho, tendo a P. aproveitado para fazer um pedido a C.: para ficarem a dormir em casa do C. naquela noite. A C. não gostou da ideia mas também não tinha alternativa, uma vez que, era suposto ela dormir em casa da P. nessa noite. Por isso, não teve outra opção senão aceder.

 

A P. iria dormir no quarto do C., como era óbvio, mas onde ficariam F. e C.? Aparentemente, haveriam apenas mais dois quartos livres: o dos pais de C. e o de hóspedes. C. explicou que F. e C. teriam de dormir no quarto de hóspedes pois no dos pais ia ser complicado e que, se não se importassem, teriam de partilhar a mesma cama. C. ficou lívida mas não se manifestou.

 

Subiram as escadas e dirigiram-se ao quarto de hóspedes. C. deu todas as indicações a C. e F. e depois de desejar uma boa noite, dirigiu-se ao seu quarto com a P. .

C. recusou-se a despir. Alegou uma série de desculpas e apenas se descalçou. Sentou-se na cama e, sem outro remédio, acabou por se enfiar debaixo dos lençóis. O frio apertava… Deitou-se bem à pontinha da cama com receio da proximidade de F., que tentou convencê-la a chegar-se mais para o meio da cama. Ela agradeceu mas disse-lhe que já era hábito dormir assim.

 

Após alguns momentos de silêncio, F. tenta estabelecer uma conversa com C. . Esta fingia estar quase a adormecer por não estar interessada em trocas de palavras àquela hora. Além daquela situação ser tão desconfortável, ainda por cima com uma pessoa que conhecia há meia dúzia de horas.

 

F. desejava-a com todas as forças do seu corpo e a proximidade dela, o seu cheiro e presença a alguns centímetros de distância, estavam a desnorteá-lo. Começaram a surgir-lhe várias ideias à mente. Ponderou uma delas e decidiu agir.

 

C. continuava imóvel no seu lado da cama. Não conseguia adormecer, Concentrava-se na respiração e movimentos de F. , expectante. O seu sexto sentido alertava-a para algo.

 

Subitamente, F. coloca o seu corpo em cima do de C. e começa a beijá-la. C. gelou, petrificou, não sendo capaz de articular um músculo, surpreendida com tal atitude. F. queria-a para si. Desejava-a como nunca desejou nenhuma mulher. Disse-lhe que a adorava, que era a mulher da sua vida. C. não acreditava no que estava a ouvir. Ele queria amá-la, ficar com ela para o resto da sua vida. Quando conseguiu articular uma palavra, C. disse-lhe que ele se estava a precipitar. Ele afirmava que não. Que nunca tinha encontrado uma mulher como ela, que nunca uma mulher o fizera sentir o que sentia por ela. Beijava-a incessantemente, com voracidade e loucura.

 

C. estava assustada. Resolveu ficar imóvel e não ofender F. . Nunca tinha passado por uma situação daquelas e não sabia como reagir. Além disso, estava numa posição muito vulnerável. Decidiu não o contrariar e corresponder à vontade dele.

 

F. começou a cair em si e a acalmar aquele comportamento louco, Pediu desculpa a C. pelos seus impulsos mas que tudo aquilo que lhe tinha dito era verdade. Acrescentou ainda que queria que C. se tornasse sua namorada. Ela ouviu atentamente e respondeu-lhe que falariam com mais calma. Pediu-lhe que dormissem um pouco pois doía-lhe a cabeça e sentia-se muito cansada. Ele concordou e aconchegou-se a ela.

C. rezava para que os minutos passassem rapidamente, para se livrar daquela situação.

 

A manhã chegou, P. bateu à porta do quarto e C. saltou da cama como se tivesse molas nas pernas. C. iria levá-las a casa. F. pediu o contacto de C. que lho deu muito renitente. Os sentimentos não eram correspondentes mas também não queria magoar F. . C. deixou que ele a beijasse mais algumas vezes até chegarem a casa. Foram feitas as despedidas e as raparigas entraram em casa.

 

“P. nunca mais me peças um favor destes!” – pediu C. – “Tu não imaginas o que passei esta noite. O F. quase que me engoliu e eu não o quero ver nunca mais… repugna-me! Além de que me fez sentir um medo que não sabia existir…”

                                                                            

                                                     THE END

Fervor Sexual (Parte II)

Durante o jantar, F. não conseguia desviar os olhos de cima de C., que conversava e se ria descontraidamente. Nem percebia os olhares que F. lhe dedicava. Apesar do seu íntimo o impelir para uma proximidade física de C., F. mostrava-se reservado. A sua timidez e o pouco interesse demonstrado por ela, impediu-o de fazer qualquer tentativa aproximação.

 

Finalizado o jantar, resolveram ir a um bar que, por sinal, pertencia a um amigo deles. O bar era frequentado por motards, logo, a decoração era condizente. Música alta, ambiente escurecido, algum fumo e pessoas em amena cavaqueira.

 

F. decidiu que teria de ser naquela altura que se iria aproximar dela. Angariou toda a coragem que tinha, deitou para trás das costas a sua timidez natural e começou a intervir mais na conversa. Gargalhadas e palavras divertidas soavam no ar vindas daquela direcção.

Finalmente, F. consegue tocar na mãe de C., que olha para ele surpreendida. Subtilmente, ela retira a sua mão. Não quer ser indelicada nem magoá-lo. Mas aquele toque foi inesperado.

 

C. começou a perceber que aquela aproximação de F. não era de mera amizade. Havia um interesse por trás. E ela já estava a perceber qual era.

Foram para a discoteca e F. não conseguia afastar-se de C. . Havia uma força quase magnética que o atraía para perto dela. Ela dançava ao som da música como se o ritmo se apoderasse dela. Era quase como um transe. Ele não desviava o olhar, enfeitiçado por ela.

 

P. e C. já estavam cansados dos ambientes nocturnos e propuseram uma ida à casa de C. cujos pais se encontravam ausentes.

Dirigiram-se ao carro e rumaram em direcção à magnífica casa de C. . F. não cabia em si de contentamento. Era uma óptima oportunidade para privar mais um pouco com C. e de se embriagar naquele ser que lhe começava a roubar o coração.

Já em casa, instalaram-se confortavelmente nos sofás. F. não desperdiçou a oportunidade de se sentar juntinho a C. Ela achou que aquela proximidade era um pouco abusiva mas não se manifestou. Continuou expectante e a comportar-se como se não se tivesse apercebido de nada.

 

Entretanto, C. resolve mostrar à namorada um CD novo que tinha comprado e abandona a sala.  C. e F. ficam sozinhos…

 

 

(To be continued…)

 

Fervor Sexual (Parte I)

Duas amigas têm um encontro amoroso marcado com duas beldades do sexo masculino. A P. namorava com o C. e cada um resolveu levar um amigo para este encontro. A P. levou a sua amiga C., enquanto o C. levou o amigo F. .

Foram feitas as apresentações, tendo o F. ficado visivelmente bem impressionado com a C. .

 

De beleza exuberante, com belos olhos cor de mel e cabelo curto muito bem delineado, de lábios perfeitos e carnudos, a C. sempre deu nas vistas. Vestia-se de uma maneira simples mas de forma a evidenciar o seu belo corpo de formas generosas.

A C. nunca teve consciência da sua beleza pois a sua timidez não o permitia. Era ingénua com gestos soltos e despretensiosos mas de uma inteligência inegável.

 

O F. era um rapaz de estatura média, musculado e de belos cabelos aloirados. Cheio de estilo no vestir e possuidor de uma bela mota. De poucas falas mas de olhar observador e penetrante.

 

A P. tinha encontrado o “amor da sua vida”, pelo menos daquela altura. A P. tinha lindos cabelos compridos com caracóis nas pontas, sempre revoltos, lábios de quem pede um beijo, olhar doce e voz suave e meiga. Exalava amor por todos os poros por aquele que lhe preenchia o coração: o C..

 

O C. era um menino de excelentes famílias ricas, de ar descontraído e divertido, cuja beleza física não era muita mas que tinha sido compensada pela simpatia e a sua boa aparência.

 

Todos estudavam no mesmo local, excepto o F., pelo que o convívio diário entre eles era muito.

Ao C. tinha sido oferecida a carta de condução pelos pais e esta saída a quatro destinava-se a festejar o seu sucesso.

Para começar, ele trouxe o carro que já há muito conduzia sem carta, segundo foi-lhe dado um voto de confiança por todos ao arriscarem o pescoço nesta sua primeira viagem.

 

Esta noite tinha sido planeada ao mais ínfimo pormenor e, por isso, tinha de ser uma das melhores das suas vidas.

Um jantar romântico a quatro, uma ida a um barzinho aconchegante e uma passagem pelas discotecas da noite lisboeta.

 

E é aqui que começa a história da C. e do F. …

 

(Continua…)